Equipamentos de Proteção Individual são fundamentais para a segurança e o sucesso na linha de produção das Usinas de Preservação de Madeira

Basicamente, os EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) servem para dar ao trabalhador uma mais segurança e uma capacidade extraordinária; enfrentar situações de risco que exigiriam um nível de proteção que vai além do natural. Por exemplo, as pálpebras protegem naturalmente os olhos de cada pessoa; mas em um ambiente onde pequenos fragmentos de material sólido são lançados ao ar, é indispensável o uso de óculos protetores adequados.

Em uma UPM — como em qualquer outra planta industrial — há diferentes graus de risco; assim como produtos que podem causar dano em caso de contato direto com a pele, olhos ou através de inalação. Portanto, os EPIs servem não só para evitar lesões, mas também doenças decorrentes da atividade.
Preservativos químicos com diversos princípios ativos, empregados no tratamento industrial da madeira, podem ser corrosivos. Por precaução, não devem entrar em contato com a pele. Recomenda-se, neste caso, o uso de botas de PVC e luvas de látex, que protegerão pés e mãos.

Quanto ao risco de respingos que ameacem os olhos, é indicado o uso de óculos protetores. Quando houver processos geradores de ruído intenso, será necessária a proteção auditiva adequada. Isto exige análise quantitativa para determinar a necessidade efetiva do protetor auricular e o grau de proteção.

 

Outras recomendações

Também é recomendável o uso de capacete, que terá dupla função contra possíveis impactos em tubulações, válvulas metálicas ou a própria autoclave, além de evitar respingos na cabeça. Se houver risco de resíduos no corpo do trabalhador, deverá ser usado macacão impermeável.

No caso de manutenção em uma autoclave (caso em que o empregado tenha que entrar no equipamento); será necessário não só o macacão impermeável, mas todo o conjunto de EPIs descrito neste artigo.
EPIs previnem acidentes mecânicos, como impactos capazes de afetar externa e internamente o corpo do trabalhador, como no caso da via respiratória pela ação de gases, névoas de produtos ou fumaça. Nestes casos, é indispensável o uso de máscara.

Para a escolha adequada, é necessária uma avaliação do modelo a ser utilizado com a ajuda de profissional qualificado. Para isso, deve ser levada em conta a concentração do produto no ar (análise quantitativa) e seu tipo específico (análise qualitativa).

Fator de proteção

O fator de proteção da máscara é muito importante e obedece a níveis indicados para cada caso, segundo as normas da Fundacentro (Fundação Jorge Duprat Figueiredo, de Segurança e Medicina do Trabalho), estabelecida pelo PPR (Programa de Proteção Respiratória). O mais baixo é o fator de proteção 10; que corresponde a 10 vezes mais do que o organismo humano seria capaz de suportar mantendo-se saudável. Seguindo o mesmo padrão na escala, existem no mercado máscaras com fatores 50, 100, 1.000 e 10.000.

No caso das UPMs, são recomendadas máscaras com fator de proteção que podem oscilar entre 10 e 100. Isso dependerá da avaliação feita pelo especialista sobre o ambiente onde pode haver gases ácidos e eventual manipulação de madeira que, na ausência de mecanização, poderão gerar particulados em suspensão.

A avaliação das condições em cada ambiente industrial deve ser feita por um profissional especializado em saúde e segurança do trabalho: engenheiros, técnicos ou, ainda, consultores de higiene ocupacional. São pessoas habilitadas e treinadas para fazer medições e análises em qualquer ramo da indústria, sendo especialmente recomendadas no setor químico. Caso existam no local avaliado produtos de risco elevado, deve-se fazer a avaliação ambiental uma vez por ano; ou sempre que forem modificados os processos industrias.

 

A importância das avaliações de rotina

É de importância estratégica a elaboração de laudo ambiental, de tempos em tempos, para que as ações adotadas sejam assertivas e pontualmente eficazes. Evita-se, assim, o desperdício de recursos com ações superdimensionadas para proteção ao trabalhador, ou impactos sanitários e ambientais quando subdimensionadas. Os dois casos implicam em prejuízos financeiros e mercadológicos. Quanto menos incidirem doenças e acidentes laborais, menores serão as chances de ocorrerem processos trabalhistas, troca de empregados, quebras de máquinas e equipamentos; além, é claro, de manter-se preservada a boa imagem da empresa frente ao seu público.

De um lado, a empresa é responsável pela segurança dos seus colaboradores, devendo disponibilizar sem custo os EPIs necessários, dando treinamento e fiscalizando o seu uso. Por outro, cabe ao empregado a iniciativa de solicitar avaliação e eventual troca de EPIs danificados durante o uso.

Finalmente, vem a estratégia adotada pela empresa para a segurança do trabalhador. Quanto mais investimentos em instalações adequadas, menores serão os dispêndios com aquisição, treinamento e fiscalização do uso de EPIs. Neste caso, a lógica do planejamento implicará em melhores condições de trabalho e, consequentemente, menores riscos ambientais. Por exemplo, sistemas de grelhas nos pisos para escoamento de líquidos reduzirão riscos de contato. Um sistema de exaustão bem-dimensionado, com captadores próximos aos pontos críticos, eliminará gases, névoas e fumaça.

Investimentos em segurança para o trabalhador devem ser sempre precedidos de análises competentes, caso a caso, e mediante plano de investimentos bem estruturados e conforme a disponibilidade da empresa.

 

Sobre o autor

Paulo Rocha é técnico em Segurança do Trabalho na Montana Química S.A.

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