Resumo
Este trabalho tem como objetivo estudar a evolução das esquadrias de madeira no Brasil, particularmente as janelas usadas em construções residenciais, desde o Descobrimento até os dias atuais. Após a apresentação dos conceitos, faz-se uma análise histórica da evolução da janela de madeira e suas relações com o contexto econômico, tecnológico e cultural no qual se insere, especialmente os diferentes estilos arquitetônicos que ocorreram no país. Optou-se por uma abordagem envolvendo apenas a janela, já que ela aparece geralmente em maior número nas edificações, além do que sua quantidade, dimensões e formas contribuem com a estética do edifício, conferindo-lhe, sobretudo, ritmidade, iluminação, ventilação e privacidade, apresentando-se um levantamento iconográfico delas em diferentes épocas. Realizou-se uma consulta a grandes e pequenos fabricantes de esquadrias de madeira em que se constatou que, além da madeira serrada, os seus derivados vêm ocupando um lugar de destaque no rol das matérias-primas empregadas. Ressalta-se a importância das chapas de fibras, dos sarrafeados e das chapas de MDF (fibras de média densidade) para esse fim.
Introdução
O início da utilização da madeira em construções remonta aos primórdios da civilização, quando o homem, à medida que inicia suas conquistas territoriais, desenvolve sistematicamente as construções primitivas, em grande parte do tipo palafíticas, que lhe garantem abrigo e proteção durante as suas jornadas exploratórias. Associada à pedra – que também é encontrada na natureza em condições de aplicação imediata – a madeira serviu ao longo dos anos para a construção de abrigos, fabricação de armas, utensílios, ferramentas e para a construção de elementos de superação dos obstáculos naturais. Recorde-se que as importantes obras de engenharia e arquitetura, até o início do século XX, eram de madeira, pedra ou de ambos.
É um material orgânico, de alta complexidade e organização, encontrada abundantemente na natureza em florestas naturais ou artificiais, resultantes de atividades de reflorestamento. Por ser um material renovável, biodegradável e com um baixo consumo de energia em todas as fases de sua produção, aliado à sua elevada resistência mecânica, é empregada frequentemente na fabricação de componentes para edificações, tais como: painéis divisórios, portas, caixilhos, lambris, forros e pisos. A construção civil e outros ramos da indústria – a moveleira, a de embalagens, etc. – utilizam-se da madeira maciça e dos produtos dela derivados, especialmente as chapas de diferentes características. Dessa forma, sua aplicabilidade abrange as edificações de caráter permanente, como as habitações, assim como as de caráter provisório. Pode ser empregada em estado bruto sob a forma de peças roliças ou falquejadas, em estado bruto sob a forma de madeira serrada e aparelhada, ou, ainda, sob a forma de madeira recomposta, como compensados, aglomerados, chapas de fibras ou outros. Diante desse campo de aplicação diversificado, pretende-se discutir, neste trabalho, a evolução das esquadrias de madeira no Brasil, particularmente das janelas, enfocando os aspectos técnicos, históricos e econômicos envolvidos, além da contribuição da madeira nesse processo. Não objetivando esgotar o assunto, este tema serve como uma investigação preliminar que desperte a curiosidade e o interesse de arquitetos, engenheiros e demais estudiosos.

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